
QUEM SOU EU?
Este pequeno espaço destina-se a divulgar fogos e fatos sobre o Estado do Amapá, sua cultura e sua gente.É resultado de longos anos de pesquisas. Aceitamos sujestões e colaborações para o enquriquecimento deste site.Edgar RodriguesCaixa Postal nº 25CEP 68906-970Celular:(96) 91171766--------INFORMAÇÕES HISTÓRICAS SOBRE O AMAPÁEm 1637, a região que é hoje o Estado de Amapá foi dada a um homem português, Bento Manuel Parente. Ao término do mesmo século a região foi invadida pelo ingleses e holandeses que foram expulsos pelos portugueses. No século XVIII, os franceses reivindicaram também posse da área e, em 1713, o Tratado de Utrecht estabeleceu as fronteiras entre o Brasil e a Guiana francesa, acordo esse que não foi honrado pelos franceses. Os portugueses construíram então uma fortaleza cujo nome foi de São José de Macapá, para proteger os limites de invasão francesa. A área começou a crescer no século XIX, impulsionado pela descoberta de ouro na área e por ocasião do ciclo da Borracha, que naquele momento, tinha alcançado preços internacionais altos. A descoberta de tais recursos causou as disputas territoriais para crescer e dar lugar à invasão francesa, em maio de 1895. Em 1º de janeiro de 1900, a Comissão de Arbitragem, em Genebra, deu possessão da região ao Brasil e o território foi incorporado ao estado de Pará, sob o nome de Amapá. Em 1945, a descoberta de grandes jazidas de manganês em Serra do Navio fez tremer a economia local. Macapá, o primeiro município e capital do Estado
Apesar dos primeiros contatos entre o índio e o europeu terem ocorrido no início do século XV com espanhóis, a colonização do Amapá inicia somente a partir do século XVIII com os portugueses. Macapá, a atual capital, se originou de um destacamento militar que se fixou no mesmo local das ruínas da antiga Fortaleza de Santo Antonio, a partir de 1740. Este destacamento surgiu em razão de constantes pedidos feitos pelo governo da Província do Pará (a quem as terras do Amapá estavam juridicamente anexadas), na pessoa de João de Abreu Castelo Branco que, desde 1738, sentindo o estado de abandono em que se encontrava a fortaleza, solicitava à Coroa portuguesa providências urgentes. Assim, os insulares dos Açores colonizaram Macapá, e os do Marrocos Mazagão, entre 1740 e 1772. Depois que o rei D. José I assume o trono português, o Marquês de Pombal fica com o Ministério Real. A primeira providência do novo “Richelieu luso” é nomear seu irmão, Francisco Xavier de Mendonça Furtado para o comando das Armas do Pará e direção da Capitania do Maranhão e Grão-Pará, gozando de plenos poderes para promover a fundação e colonização de vilas na Amazônia Setentrional. É nesta época que Macapá assiste à chegada de colonos oriundos das Ilhas dos Açores, sob o comando do coronel João Batista do Livramento e do padre jesuíta Miguel Ângelo de Morais. Mas as dependências e imposições geográficas do povoado, assim como a malária e outros males tropicais, além da inadaptabilidade dos açorianos aliada aos constantes desentendimentos entre o jesuíta Miguel Ângelo e o coronel Livramento, contribuíram para que os primeiros colonos de Macapá não conseguissem sucesso em seu trabalho. O arquipélago dos Açores, de onde vieram esses colonos, ainda constitui parte do território insular de Portugal. Em 1580 sua população lutou bravamente contra os espanhóis, apesar da derrota e instauração da Península Ibérica (Domínio Espanhol, 1580 a 1640). As ilhas tornaram-se ponto de reunião das armadas que traziam riquezas das Índias, bem como palco da guerra marítima entre os ingleses e as potências ibéricas. Como parte da estratégia de expansão e colonização das posses portuguesas no Novo Mundo, o governo luso promove uma ampla campanha de remanejamento em Cabo Verde e Açores, culminando com o envio de centenas de famílias, com seus escravos, para povoar núcleos coloniais ao Norte e Sul do Brasil. Assim chegaram, em Macapá, os açorianos entre 1730 e 1750. Apesar de não terem se adaptado ao clima e à insalubridade da região, eles passam para a história de Macapá como seus primeiros desbravadores.
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A CHEGADA DO PRIMEIRO AVIÃO EM MACAPÁ
(Por Raimundo Perez Nunes)“Sete horas da manhã do dia 18 de março de 1922, véspera de São José. Aporto em Macapá, oriundo de Igarapé do Lago, a remo, motivado por mais um dia de trabalho duro. Naquele tempo, a comunidade não dispunha de motor, aí a gente tinha a alternativa do transporte fluvial, movido a vela ou a remo. Neste dia dia a maré estava baixa. Exausto da viagem, encosto a embarcação perto do guindaste, estendendo uma pequena tela encerada sobre as pedra. Deito. A baía estava serena. A brisa soprava do norte e o sol espalhava seus raios sobre a natureza. Todo esplendor, naquela manhã inesquecível. Toda a cidade estava na rotina normal. Os pescadores haviam chegado da pesca. Na fortaleza de Macapá, nada de anormal. O intendente já estava prestando serviços. O vigário se preparando para a celebração da missa, após ter distribuído a comunhão aos doentes. Eu estava um pouco cansado, trabalhando desde a madrugada alta. O silêncio, de repente, foi quebrado, e vinha do alto. Levantei-me e volvi os olhos em seu rumo. Vi uma canoa fundeada e cinco homens em movimento. De bordo, um grito fez-se ouvir: “avião”. Fiquei atordoado, pois tinha ouvido falar em avião, mas não tinha visto algum até a minha mocidade. Com a mesma curiosidade da população que já olhava o céu, tentando localizar o avião, levantei a vista e vi uma pequena mancha no azul do espaço.Era o sexto homem a avista-la. A população passou a se aglomerar em frente ao porto. Uma velha mulata começou a gritar em voz alta: “Meu Deus, é o fim do mundo! É o fim do mundo!”. O pastor da Assembléia de Deus começou a chamar seus fiéis para o templo: ´Meus irmãos, arrependei-vos enquanto é tempo, que o fim do mundo está próximo!. O rugido de Deus através de seu filho está ecoando aos quatro cantos do mundo. Oremos para que Jesus seja nosso advogado! Alelula!´. E os evangélicos, começando a se concentrar ao redor do pastor: ´Aleluia! Glória a Deus! Estamos vendo a glória de Deus! Obrigado, Jesus...`. E assim, todos os pentecostais estavam solicitando à população que ´aceitasse Jesus enquanto havia tempo!´. Um soldado começou a dizer seus pecados em voz alta. Um deles, é que tinha traído sua esposa na noite passada. A esposa, por desespero, o perdoou. Um velhinho de 66 anos, alquebrado pela doença, começou a correr de um lado para outro. Mais tarde ficou constatado que era paralítico e não conseguia dar mais de três passos. A caboclada começou a recolher seu material de pesca. As beatas da igreja de São José largaram tudo e foram para o templo católico rezar. O vigário, mal acabava de celebrar a missa, e experiente em aeronaves, começou a falar para a população que se acalmasse, pois o avião não iria fazer mal a ninguém, e o mundo ainda tinha muito tempo de vida a cumprir. Todas as lavadeiras que estavam no Igarapé das Mulheres, largaram tudo, até de falar mal da vida alheia, e correram em disparada às imediações da Fortaleza de Macapá, sem saber, ao certo, o que estava acontecendo. O vulto crescia rápido. O povo foi dominado por um verdadeiro êxtase naquela hora.
Pouso Forçado O “pássaro metálico” deu uma volta sobre a cidade e rumou para a baía., amerissando, dirigindo-se para a praia até encalhar. Na cidade, os foguetes subiam no ar, comemorando alguma coisa que não se sabia, após o susto da “ameaça do fim do mundo” ter passado. A população, na verdade, não sabia ao certo o que era um avião, mas diante dos reclames do vigário, passou a encarar aquele espetáculo de outra maneira. Na rua da praia, perímetro do Macapá Hotel, o povo se aglomerava. Um grupo de pessoas corria pela praia rumo ao avião, fazendo com que o resto da população corresse atrás. Um dos pilotos, pressentindo que iria ter problemas se todo mundo subisse à plataforma do avião, desceu para os flutuadores a fim de impedir que os populares aí subissem. Eram alemães, e só um deles sabia falar algumas palavras de português. O primeiro homem a chegar ao avião foi Cirilo José Simões, que apresentou as boas vindas à tripulação. O aviador foi carregado pelos populares até a rua, e conduzido num local de destaque próximo à fortaleza de Macapá, onde a água não alcançava. Já em terra firme, e no meio do povo que se comprimia em torno do aviador, estava José Siqueira Lemos, que falava fluentemente o francês, idioma que os alemães conheciam. O aviador explicou o motivo da chegada inesperada em Macapá. Viajavam da América do Norte para Buenos Aires em dois aviões Junkier, de fabricação alemã: D-217, que transportava combustível, gêneros alimentícios e material indispensável à viagem, e o D-218, hidroavião de comando. Sobrevoavam a costa brasileira, quando o D-217 projetou-se no mar. Dos três tripulantes, apenas o mecânico foi salvo pelo D-218. Visita ao público Sem gasolina para reabastecer, rumaram costa acima até Macapá, chegando com combustível apenas para cinco minutos de vôo. Quando a água encheu, o avião foi levado para o Igarapé da Ponte da Fortaleza, ficando novamente encalhado numa praia de areia. As autoridades locais deram toda a assistência necessária aos aviadores. O avião foi vigiado pelo pessoal da prefeitura. À tarde foi franqueada a visita ao público.
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